Um laboratório editorial criado durante a pandemia para explorar a cultura cervejeira através de design, storytelling e cultura pop.
Durante a pandemia, os bares fecharam e grande parte da experiência social associada à cerveja desapareceu. Ao mesmo tempo, a comunicação sobre o tema era dominada por avaliações, lançamentos e informação técnica, pouco acessível para quem só queria descobrir o universo.
O desafio era despertar interesse pela cultura cervejeira sem transformar cada conteúdo numa aula. Mais do que explicar estilos ou processos de produção, o objetivo era mostrar que a cerveja também podia ser um ponto de entrada para falar de história, design, gastronomia e comportamento.
Depois de concluir a formação de Sommelier de Cervejas em 2018, procurei uma forma de aplicar esse conhecimento num projeto autoral. A pandemia criou tempo para experimentar e revelou uma oportunidade: apesar da crescente valorização da cerveja artesanal, faltava conteúdo que abordasse o tema de forma cultural e visualmente apelativa.
Antes da popularização das ferramentas de inteligência artificial, todas as composições gráficas eram produzidas manualmente: pesquisa, fotografia e edição de imagem combinadas para construir uma identidade editorial própria.
Acreditava que o problema não era a complexidade do tema, mas a forma como era apresentado. Se a cerveja fosse tratada como fenómeno cultural, cruzando história, design, música, cinema e gastronomia, seria possível despertar interesse mesmo em pessoas sem conhecimento técnico.
A estratégia consistiu em transformar cada conteúdo numa pequena narrativa, usando a cerveja como ponto de partida e não como tema único. As publicações cruzavam referências de cultura pop, publicidade, história e gastronomia para contextualizar o universo cervejeiro de forma leve.
O design tornou-se parte da narrativa, com montagens gráficas manuais para reforçar cada conceito. Os vídeos aprofundavam temas históricos e curiosidades, evitando o excesso de tecnicismo. O objetivo não era transmitir toda a informação possível, mas despertar curiosidade suficiente para continuar a explorar.
A Beeraba desenvolveu uma identidade editorial consistente, demonstrando que temas técnicos podem tornar-se acessíveis através de storytelling, design e referências culturais.
Funcionou como laboratório criativo para testar formatos de conteúdo e processos de direção editorial. Muitas dessas aprendizagens passaram a integrar projetos posteriores nas áreas de branding, estratégia de conteúdo e comunicação digital.
Este projeto reforçou uma ideia que continua a orientar o meu trabalho: as pessoas não se envolvem apenas porque recebem mais informação. Envolvem-se quando encontram uma forma interessante de a descobrir.
Também consolidou a importância de integrar disciplinas diferentes num mesmo processo criativo: história, design, humor, fotografia e storytelling podem trabalhar em conjunto sem perder profundidade nem rigor.